Sentido no trabalho
Você imaginava estar em outro lugar a esta altura da vida. Aí abre as redes e parece que todo mundo chegou lá, menos você. Neste texto, falo sobre de onde vem essa sensação de atraso e como olhar para a própria trajetória com menos cobrança e mais sentido.
Você fecha o notebook, mas a reunião de amanhã continua rodando na cabeça. Neste texto, falo sobre por que desligar do trabalho fica tão difícil, o que isso tem a ver com aquele cansaço que não passa e por onde começar a recuperar o tempo que deveria ser seu.
Aos 20 e poucos anos, muita gente desenha um mapa: um cargo até os 30, uma área definida, uma estabilidade, talvez um reconhecimento. Os anos passam, a vida acontece de um jeito diferente do planejado, e um dia aparece a frase: “eu já deveria estar mais longe”.
Essa sensação pode vir acompanhada de frustração, insegurança e até de vergonha. E costuma ser silenciosa, porque é difícil admitir, em voz alta, que nos sentimos para trás.
A sensação de atraso só existe em relação a alguma coisa. A pergunta é: atraso em relação a quê?
Muitas vezes, a régua foi construída lá atrás, numa fase em que sabíamos menos sobre nós e sobre o mundo do trabalho. Outras vezes, ela veio de fora: das expectativas da família, do que se esperava de alguém com a nossa formação, de uma ideia de sucesso que nunca chegamos a questionar.
Há décadas, a psicologia descreve a nossa tendência de nos avaliarmos em comparação com outras pessoas, principalmente quando não existe um critério objetivo para isso (Festinger, 1954). Na carreira, quase nunca existe.
Hoje essa comparação acontece o tempo todo, nas redes sociais e no LinkedIn. O problema é que elas mostram resultados, não caminhos. Você vê a promoção, não as noites mal dormidas. Vê a mudança de área, não os anos de dúvida que vieram antes. E compara o seu bastidor com o palco dos outros.
Não se trata de fingir que está tudo bem, nem de abrir mão das suas ambições. Trata-se de olhar para elas com mais honestidade.
Carreiras raramente seguem uma linha reta. Pausas, mudanças de área, recomeços e períodos de dúvida fazem parte de muitas histórias profissionais, mesmo que quase ninguém poste sobre eles. O que parece atraso pode ser, olhando de perto, o tempo que você precisou para entender o que realmente quer, ou para atravessar algo que a sua vida pediu naquele momento.
Se a sensação de atraso vem acompanhada de ansiedade constante, de paralisia diante de decisões ou de uma comparação que tira o prazer do que você faz, vale cuidar disso com mais atenção.
Na terapia, olhamos para a sua trajetória a partir da sua experiência, e não de uma linha do tempo genérica. O objetivo não é chegar mais rápido a algum lugar, e sim entender para onde faz sentido ir.
A sua história, no seu tempo
Se a sensação de atraso tem pesado, a terapia pode ajudar a rever as expectativas que você carrega e olhar para a sua história a partir da sua experiência, e não de uma linha do tempo genérica.
Sua história importa.